O silêncio também é uma mensagem. Não pode obrigar ninguém a responder — o que pode fazer é manter o seu lado do registo completo, calmo e impossível de interpretar mal.
Uma mensagem: o que se passa, do que precisa, até quando. Sem preâmbulos sobre o último silêncio.
Se não houver resposta até ao prazo que indicou, faça o que é razoável e registe-o: «Sem resposta até terça, por isso organizei eu a boleia.» Não está a castigar ninguém — está a manter a vida em andamento.
Três mensagens sem resposta, num registo, leem-se como pressão; uma mensagem clara com uma data lê-se como um progenitor a organizar a semana do filho.
Registe o que aconteceu mesmo quando nada ficou combinado. Um registo unilateral mantido com calma convence; um argumentário unilateral não.
Os pedidos de confirmação dão forma ao silêncio — pedido, visto, sem resposta — e o diário guarda o seu próprio relato, nas suas palavras, com data, sem enviar nada a ninguém.